Dicionário do Couro

46 termos que aparecem em etiquetas, lojas e oficinas, explicados de forma simples. Use a pesquisa ou navegue pelas letras.

A

Anilina
Couro tingido em profundidade com corantes solúveis, sem camada de tinta por cima. Mostra os poros e as marcas naturais, tem o toque mais macio e é o mais sensível às nódoas e à água. Ler mais
Atanado
Couro de bovino curtido com taninos vegetais, firme e encorpado: o couro clássico das solas, dos cintos e da correaria. O nome é mais usado no Brasil; em Portugal, fala-se sobretudo de couro de curtimenta vegetal. Ler mais

B

Box calf
Couro de vitela com flor fina e acabamento liso e polido, muito usado em sapatos clássicos de qualidade.

C

Cabedal
Em Portugal, o nome tradicional do couro do calçado e dos casacos, e também da parte de cima do sapato. Um casaco de cabedal é um casaco de couro. Ler mais
Camurça
Couro de toque aveludado, obtido do lado de dentro da pele (o carnal) ou de um crute. O nome vem da camurça, um caprino das montanhas europeias. Ler mais
Canelado
Malha em relevo e elástica usada em punhos, golas e bainhas, a imagem de marca dos blusões bomber. Ler mais
Carnal
O lado de dentro da pele, que estava em contacto com a carne do animal. Quando lixado, dá origem aos acabamentos aveludados.
Couro corrigido
Também chamado flor corrigida: couro cuja superfície foi lixada para disfarçar marcas e que depois recebeu acabamento e uma estampa de grão. É uniforme e resistente, mas menos natural do que a flor integral. Ler mais
Couro de peixe
Couro feito da pele de peixes como o salmão, a tilápia ou o bacalhau, aproveitada da indústria alimentar. Tem desenho de escamas e é surpreendentemente resistente. Ler mais
Couro reconstituído
Material feito com fibras e aparas de couro moídas e coladas com aglutinantes sobre uma base, quase sempre com uma película de plástico por cima. É barato, pouco durável e tende a descascar.
Couro vegetal
Nome popular para materiais de origem vegetal que imitam o couro, de tecidos com látex a laminados com fibras de ananás, cato ou maçã. Apesar do nome, não é couro, e muitos levam plástico na fórmula. Ler mais
Crazy horse
Couro encerado e oleado que clareia onde é dobrado ou arranhado e ganha pátina depressa. Comum em botas e malas de estilo vintage.
Crute
A camada de baixo da pele, separada da flor na divisão (no Brasil, raspa). Não tem a resistência da flor: dá camurça de crute ou recebe uma película de plástico por cima. Ler mais
Curtimenta
O processo, também chamado curtimento, que transforma a pele, que apodreceria, em couro estável e durável. Os dois grandes métodos usam sais de crómio ou taninos vegetais. Ler mais
Curtimenta ao crómio
O método mais usado no mundo, com sais de crómio trivalente. É rápido e produz couros macios e resistentes ao calor; exige um tratamento rigoroso dos efluentes. Ler mais
Curtimenta vegetal
Método com taninos tirados de cascas e madeiras, como a mimosa (da acácia-negra) e o quebracho. É mais lento, dá couros firmes e desenvolve a pátina mais marcada. Ler mais

D

Debrum
Tira de couro ou de tecido dobrada sobre a borda de uma peça para dar acabamento e proteger o corte.
Divisão
Etapa do curtume em que uma máquina separa a pele em duas camadas: a flor, em cima, e o crute, em baixo.

E

Eflorescência
Película ou pó esbranquiçado causado pela migração das gorduras do próprio couro para a superfície. Parece bolor, mas sai com um pano seco e costuma voltar com o calor. Ler mais
Engorduramento
Etapa em que os óleos penetram nas fibras do couro já curtido e o deixam macio e flexível. Sem ela, o couro secaria duro como cartão. Ler mais
Espessura
A medida do couro em milímetros. Os casacos ficam, em geral, entre cerca de 0,7 e 1,4 mm; os cintos, entre 3 e 4 mm. Ler mais

F

Floater
Couro amaciado no fulão até a flor formar um grão grosso e irregular. É macio, disfarça arranhões e aparece muito em malas.
Flor
A camada exterior da pele, onde estavam os pelos. É a parte mais resistente e nobre do couro, com os poros visíveis. Ler mais
Flor integral
Couro que mantém a flor inteira, sem ser lixado. Mostra marcas naturais, respira melhor e é o que envelhece com mais beleza. Ler mais
Fulão
Grande tambor giratório, de madeira ou de aço, onde as peles são lavadas, curtidas e tingidas. É o coração de um curtume. Ler mais

L

Laminado
Couro, crute ou tecido coberto por uma película de plástico, geralmente de PU, que imita a flor. Com o tempo, essa película pode estalar e descascar.

N

Napa
Tecnicamente, couro macio e flexível, geralmente de ovelha, cabra ou vitela, usado em roupa, luvas e malas. No comércio, porém, «napa» também aparece em materiais sintéticos com aspeto de pele, sobretudo em estofos: confirme sempre a composição na etiqueta.
Nobuck
Couro de flor lixada muito ao de leve para criar um toque aveludado e curto. Parece camurça, mas é mais resistente, porque é feito do lado de fora da pele. Ler mais

P

Pátina
O escurecimento e o brilho que o couro ganha com o tempo, pela ação da luz, do atrito e da oleosidade das mãos. Mais visível nos couros anilina e de curtimenta vegetal. Ler mais
Pele ecológica
Nome comercial sem definição única. Quase sempre designa um laminado sintético de poliuretano (PU), que não é couro; às vezes, couro curtido com processos de menor impacto. No calçado vendido na União Europeia, só o couro pode usar o símbolo da pele estendida na etiqueta. Ler mais
Pele sintética
Nome genérico para laminados de plástico, de PU ou de PVC, que imitam o couro. São mais rígidos e respiram menos do que o couro.
Pele verdadeira
Expressão do comércio para garantir que a peça é de couro de origem animal. Não diz nada sobre a qualidade: pele verdadeira pode ser uma flor integral excelente ou um crute simples. Ler mais
Pelica
Couro muito fino e macio, tradicionalmente de cabrito ou de borrego, usado em luvas, sapatos delicados e forros.
Pigmentado
Couro coberto por uma camada de tinta que uniformiza a cor e protege contra as nódoas. É o tipo mais comum em sapatos, malas e estofos.
Ponto sela
Costura manual feita com duas agulhas na mesma linha, que atravessa cada furo pelos dois lados. Se um ponto se partir, a costura não se desfaz: é sinal de um artigo artesanal de qualidade.
PU
Poliuretano, o plástico da maioria dos sintéticos que imitam o couro, incluindo a chamada pele ecológica. É macio, mas degrada-se com a humidade e o calor e acaba por descascar. Ler mais
Pull-up
Couro rico em óleos e ceras que clareia quando é dobrado ou esticado e depois volta à cor. Dá um efeito vivo, de peça usada com carinho.
PVC
Plástico de sintéticos mais rígidos, comum em estofos e em peças baratas. Resiste mais à humidade do que o PU, mas pode endurecer e estalar com o tempo e o frio.

S

Saffiano
Couro com uma estampa de pequenas riscas cruzadas, prensada a quente e coberta por um acabamento ceroso. Resiste bem aos arranhões e às nódoas.
Semianilina
Couro anilina que recebe uma camada leve de pigmento ou de proteção. Mantém boa parte do aspeto natural, com mais uniformidade e resistência. Ler mais
Shearling
Pele de carneiro curtida com a lã. Nos casacos e nas botas, a lã fica para dentro e o couro para fora: é o forro clássico dos blusões de aviador. Ler mais

T

Tanino
Substância vegetal adstringente, tirada de cascas, madeiras e frutos, que se liga às fibras da pele e a transforma em couro na curtimenta vegetal.

V

Verniz
Couro coberto por uma camada brilhante e impermeável, com efeito espelhado. As dobras e os arranhões marcam com facilidade.
Vitela
A pele de bovino jovem, de flor fina, macia e resistente. Aparece muito em sapatos, malas e cintos de qualidade.

W

Wet blue
Couro que acabou de passar pela curtimenta ao crómio, ainda húmido e de tom azulado. É uma etapa intermédia e também um produto que se compra e vende entre curtumes. Ler mais
Wet white
Couro curtido sem crómio, em geral com aldeídos ou taninos sintéticos, que sai do processo num tom claro. É a base de muitas peças vendidas como livres de crómio. Ler mais